Dieselgate revisitado: uma questão de números?

Hoje tive a oportunidade de assistir ao pequeno discurso de um Engenheiro Químico com mais de duas décadas de experiência em processos de despoluição, tratamento de efluentes e valorização de resíduos, mas que nos últimos anos o seu trabalho tem incidido especialmente no tratamento dos efluentes causados pelos automóveis, isto é, os gases e matéria suspensa proveniente da combustão. Nos seus 5 minutos de diálogo ele levantou uma questão pertinente baseada nos resultados do seu trabalho e das conclusões que vai tirando no dia à dia.

Para começar o locutor, cujo nome não captei (típico), afirmou que o seu trabalho era estritamente independente e que as suas observações nada tinham que ver com o facto de estar a trabalhar para um grande fabricante automóvel (Renault por sinal) até porque esse não era o seu empregador mas sim um grande grupo de consultadoria.

De seguida ele levantou a seguinte questão: “Será que esta perseguição ao diesel tem apenas fundamentos ecológicos e de saúde pública ou haverá uma motivação mais “económica” por trás?”. Segundo ele, nos últimos anos houve um investimento considerável no desenvolvimento e implementação de sistemas e formulações que permitiu reduzir de forma bastante significativa as emissões de matéria particulada de baixas dimensões (segundo ele houve uma redução de cerca de 60% na última década), mas que já existem sistemas que poderão ser implementados e que permitiriam aumentar esse valor para a ordem de 90-95% mas que são dispendiosos e poderão causar pequenas diminuições de performance (o próprio grupo possui investigação nessa área).

Quanto aos óxidos de azoto assumiu que se trata de um problema um pouco mais complexo.

Por fim apresentou os seguintes números:

Em França, e tendo base os números oficiais, cerca de 60% dos 38 milhões de veículos ligeiros usam diesel e/ou derivados (misturas com biodiesel e similares). Por sua vez, dois veículos de características e potências semelhantes com um deles usando gasóleo e outro gasolina apresentam uma diferença de consumo na ordem dos 30%, com o menor consumo no lado do diesel. Sabendo que em termos de taxação o estado francês consegue ganhar mais 20 cêntimos por litro com a venda da gasolina, e tendo por base uma média de consumo anual, estaríamos a falar de um encaixe extra de cerca de 11 mil milhões de euros caso todas as viaturas existentes fossem a gasolina. O valor pode não parecer significativo para um país como a França, mas na volta ainda é 0.4% do PIB…

Isto pode ser só mais uma teoria da conspiração, mas que há coisas estranhas lá isso há. Bom, no meio disto tudo há que fazer uma pequena ressalva: os números apresentados por este senhor não foram devidamente referenciados por isso é preciso tomar estes resultados com uma pitada de sal para evitar dissabores…

Ruben

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